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Coluna Jorge Barros: No filme Marighella, do diretor Wagner Moura, falta Marighella

06/12 Coluna Jorge Barros: No filme Marighella, do diretor Wagner Moura, falta Marighella

Antes dos comentários pertinentes ao título desta coluna, parabéns ao Cine JM da São José Vila Gourmet por exibir Marighella em seu circuito comercial, haja vista que o cinema nacional encontra barreiras para conquistar público, desde a sua origem, no final do século XIX. Assistir ao filme Marighella três vezes; uma em Salvador e duas no Cine JM. Não que eu seja seguidor de Marighella, fã de Marighella, que eu concorde com a ideologia criminosa e autoritária de Marighella, ou algo similar. Assistir a esse filme três vezes para exatamente analisá-lo mais profundamente; para analisá-lo com mais precisão o universo de seu contexto histórico-político-ideológico. Ninguém debate ou discursa sobre um tema se não tem conhecimento dele. Filmes não transformam o mundo, mas homens o transformam. Porém, desde o seu nascimento, o cinema sempre procurou exibir nas telas formas de lutas históricas e ideológicas para sugerir como se transforma o mundo; como se transforma o mundo para melhor ou para pior. Daí, quanto mais realidade na tela, mais honestidade com a história. Voltando ao filme Marighella, vê-se, na tela, falsificações grosseiras de uma das mais conflitantes fases da política brasileira - a luta armada para a implantação da ditadura do proletariado, mas cinicamente negada pela maioria esmagadora dos comunistas da própria luta armada. A ideologia comunista, no Brasil, sempre tentou tomar o poder através do derramamento de sangue; através da força bruta. Reporte-se à Intentona comunista de 1935 e à Revolução de 1964. Esta, alcunhada pelos comunistas de Golpe Militar, mas, para o resto da população brasileira, Intervenção Militar; o que exatamente pediam milhões de brasileiros nas ruas em 1964 (Faça uma viagem no tempo para descobri essas verdades). O seu falso professor de História jamais lhe contará isso. A primeira falsificação grosseira do filme Marighella é a de Seu Jorge interpretar Marighella. A imagem de Seu Jorge está a dez mil anos-luz distante da imagem do verdadeiro Carlos Marighela. Distante no semblante, na cor da pele, no físico, na forma de luta etc. Se um filme não é documentário (a narrativa nua e crua de uma realidade), ele é uma ficção. Mas, mesmo ficção, ele é obrigado a se aproximar da realidade o mais possível. Principalmente na caracterização do principal vulto histórico na tela. Ao assistir ao filme Gandhi(1982), é impossível alguém afirmar que o ator inglês Ben Kingsley não é o próprio Gandhi; ao assistir ao filme O destino de uma nação (2017), é incorreto alguém afirmar que o ator Gary Oldman não está no lugar do primeiro ministro da Inglaterra, Winston Churchill; vendo o filme A dama de ferro (2011), é crime inafiançável alguém dizer que a atriz Mary Streep está longe de ser a primeira ministra da Inglaterra, Margaret Thatcher; e, para não entediar o leitor desta coluna, quem assiste ao filme Ray(2004), sai da sala de projeção convicto de que o ator James Fox é o próprio cantor Ray Charles. Estes quatro atores foram premiados com o Oscar. Porém, após você assistir ao filme Marighella, interpretado por Seu Jorge, certamente concluirá que Seu Jorge não é Marighella. Seu Jorge é o Marighella de Wagner Moura, e não o da história. Continua nas próximas coluna. PROFESSOR JORGE BARROS

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