Poesia com Raiana Soares

Hoje, 22/06/19

Fogueira


Olhando aquela fogueira
Olhando o fogo dançar
Dança em mim uma imensa saudade
Que assim como o fogo
É guiada pelo ar

Olho as cinzas subirem até o céu
Um céu que em minha lembrança
Era coberto de estrelas
Um céu que hoje é ofuscado
Pelas luzes da cidade

Ouço o som mecânico
De um forró eletrônico
E me lembro do agradável som da viola
Do violão tocado por mãos calejadas
Mãos que outrora tocavam a enxada

Vejo as crianças com seus celulares
E me lembro do fogo de artifício
Que em minha infância fazia festa
Era um dos meus vícios

Ouço os adultos comentarem
Sobre o futebol, a novela, o jornal
E me lembro dos causos de meu avô
Que me faziam rir e as vezes ter medo de ir no quintal

Já não vejo a caipora
Nem os lobisomens
Apenas homens maus ou bons
Comuns homens
Me lembro do que meu avô sempre diz
"Hoje em dia não é como antigamente não,
Existia muita coisa que hoje já não existe"
Concordo
Existia magia
Hoje existe quase isso
Mas chamam tecnologia

Saudades do pé de serra
Da viola, da sanfona
Do licor, do amendoim
Saudade que não me abandona
De uma tradição que se perde
De uma tradição que eu já nem vivi

Olho de volta para a fogueira
Queimando por tradição
E decido continuar olhando
Agradeço por ela ainda existir
E me pergunto "até quando?"
Enquanto me levanto
Para buscar mais um pouco de amendoim


Raiana Soares

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JOSÉ PAIVA DOS SANTOS Terça-Feira, 25/06 às 15:06

OI RAIANA! ESTÁ GRANDIOSA ARTISTA JEQUIEENSE: SOU SEU FÃ! GOSTARIA DE CONHECER-LHES, A JOVEM E GRANDIOSA POETISA. ABRAÇOS!
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