SONETOS DE WILLIAM SHAKESPEARE, para os Jequieenses (II)

Quarta-Feira, 17/07/19

SONETOS DE WILLIAM SHAKESPEARE, para os Jequieenses (II)

A poesia shakespeariana procura desvendar e revelar os segredos dos sentimentos humanos, não só no contexto da Inglaterra da Era da Renascença, como também no contexto de todos os tempos. Shakespeare não escreveu só para o homem inglês; ele escreveu para o homem universal. Os seus sonetos, peças históricas, suas tragédias e comédias dissipam qualquer tipo de dúvida sobre a sua genialidade em colocar no papel (pergaminho) a história da vida do homem em busca de sua identidade diante de todos os conflitos existentes. SONETO NÚMERO 03: Olha no espelho e vê: a face aí refletida/ É tempo de outra ser que o mesmo sangue core./ E, se isso não se der, ao mundo a tua vida/ Será um logro, impedindo, enfim, que ao mundo aurore,/ Feliz, mais uma mãe. Onde, por mais que exulte/ De si mesma, a mulher que Himeneu não te entregue?/ E onde o homem que em si mesmo o seu amor sepulte,/Sem que pense no mal que ao futuro assim legue?/ De tua mãe és o espelho: em ti sempre ela vive/ A rever-se no abril da sua primavera./ Também tu , quando a idade estiver em declive,/ Entre rugas verás teus anos de quimera./ Mas, se da vida assim fizeres toda a viagem,/Solteiro, morrerá contigo a tua imagem. SONETO NÚMERO 04: Por que desperdiçada a ser assim costuma/ Por ti mesmo contigo a tua avita beleza?/ A Natura não dá de graça coisa alguma;/ Empresta só, mas só aos que usam de franqueza./ Então, belo avarento, é muito justo dares/O que ela não te deu senão para que o desses./Inútil usurário és tu. Por que guardares/ Teus dotes , se também da vida ao acaso desces?/ Por viveres assim tão egoisticamente/ Apenas a ti mesmo é que iludes, decerto./ E, quando a Morte, enfim, se te puser em frente,/ Que conta hás de tu dar desse teu rumo incerto?/ Tua beleza invulgar , que, sendo bem usada,/ Podia herdeiros ter, far-se-á, na tumba, em nada.

Professor Jorge Barros







Jorge Barros

Jorge Barros

Professor da UESB, poeta, ator e agitador cultural


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