O Castelo de Avilan da novela Que rei sou eu? e o Castelo de Brasília dos bandidos - políticos (Parte I)

Hoje, 04/09/18

A teledramaturgia brasileira, de vez em quando, acerta em cheio. Em uma dessas raras vezes foi no ano de 1989, com a produção da novela Que rei sou eu?, do novelista Cassiano Gabus Mendes, exibida pela Rede Globo de Televisão, no horário das 19 horas, e que foi ao ar no período de 13 de fevereiro a 15 de setembro. Um belo trabalho novelístico e, quiçá, o melhor de todos apresentados até hoje no referido horário anteriormente. Todos os capítulos, 185, já foram postados no You Tube, confira-os. Já nos primeiros capítulos, Que rei sou eu?, uma produção luxuosa do gênero capa e espada mostrava que se constituiria em uma real, ácida e corrosiva crítica sócio-política ao Brasil, governado por políticos corruptos até as últimas consequências. Lamentavelmente, depois de exatos 29 anos, o país ainda continua na mesma situação, ou talvez pior, porque o seu eleitorado, mesmo sendo explorado, roubado, violentado e enganado todos os dias, ainda não invadiu o Castelo de Avilan (Brasília, que significa Palácio da Alvorada, Palácio do Jaburu, Câmara dos Deputados, Senado, STF, STJ, STF) para mudar os rumos da história brasileira, isto é, da Constituição de 1988, que já apodreceu há muito tempo. Ele prefere (o eleitorado), de dois em dois anos, ir às urnas como um carneirinho para eleger quem vai lhe roubar por mais quatro anos. Para não variar, no dia 07 de outubro, esse mesmo eleitorado irá às urnas escolher seus bandidos – políticos de estimação (deputados estaduais e federais, governadores, senadores e presidente) para, depois, queixar - se de que não tem saúde, educação, segurança, moradia decente, saneamento básico, cultura, esporte, salário digno, emprego e outros bens que lhes são necessários para a manutenção de uma boa qualidade de vida. A novela de época Que rei sou eu? conduziu o espectador ao ano de 1786, três anos antes da Revolução Francesa, mas com requintes, toques e sotaques de modernidade para retratar o que acontecia no Brasil e em Brasília, que, no folhetim, eram identificados por Reino de Avilan e o Castelo de Avilan, respectivamente. Só irei à urna depois do grande cerco e da grande invasão ao Castelo de Brasília (Avilan). E você? Não se iluda mais uma vez. No esquema que está posto, a partir de 01 de janeiro de 2019 tudo continuará no mesmo; só haverá uma mudança: a população brasileira ficará mais pobre. Continua na Parte II

Professor Jorge Barros

Jorge Barros

Jorge Barros

Professor da UESB, poeta, ator e agitador cultural


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