Muito Além do Jardim

Quarta-Feira, 15/08/18

Muito Além do Jardim

A arte sempre existiu (e sempre existirá) para subverter a ordem, padrões estéticos estabelecidos e o formalismo que sempre se impõe com regras e leis. Não há espaços próprios para a arte; não há limites para sua divulgação; e, tampouco, ninguém é dono de seu conhecimento. A essência da arte habita em cada sentimento humano, em cada reflexão, em cada ideia; e exercê-la em função de uma boa causa, faz bem ao homem, à sociedade, ao coletivo, bem como à vida. Moradores da Urbis II, vizinhos ao Terminal Aeroporto Vicente Grillo, resolveram colocar em prática um pouco da essência da arte que existe em cada um deles. Que bom! Belo exemplo! Aplausos! A partir de um simples jardim (foto), localizado no mesmo bairro, imprimiram, de forma criativa e singela, uma das formas de construção da genuína arte do povo, da arte de rua, da arte das massas. Com materiais recicláveis, mais precisamente com pneus e garrafas pet, deram um tom diferente a esse também singelo jardim, o que pode ser perfeitamente denominado de a Poesia da Insignificância. No exercício de sua criatividade, com tinta, pincéis e vontade deram formas a dezenas de pneus, a centenas de garrafas pet e a outros materiais insignificantes, que bem poderiam estar no lixo, nos esgotos, nos rios, nos lagos, nas ruas, proporcionando a temível e a pavorosa disseminação da dengue e de outras doenças da era contemporânea (a nossa era). E que esse belo exemplo seja copiado em todos os bairros, em todos os jardins e em todas as praças desta Jequié tão mal trada e abandonada nessas últimas décadas, e que vá para Muito Além do Jardim. Aos moradores da Urbis II, um grande abraço! E que nunca se esqueçam dessa grande verdade: “Hoje, arte é, primeiro, aquilo que o artista diz que é. E quando o artista diz que não, porque os outros continuam a dizer que é?”.

Professor Jorge Barros



Jorge Barros

Jorge Barros

Professor da UESB, poeta, ator e agitador cultural


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