Em 2019, Esperança Ainda, apesar da descrença de muitos

Hoje, 03/01/19



O dia 01 de janeiro já raiou. Já raiou apesar do ano de 2018 ser carregado de tantos desencontros, de tantas incertezas, amarguras, agressões e hostilizações mútuas, que atingiram em cheio milhões de brasileiros, nas esferas política, social, ideológica e humana. Nesse árduo campo de batalhas ninguém saiu inatingível; nessa luta renhida nenhum ego saiu ileso; nesse duelo de ideologias partidárias nenhuma sigla partidária foi considerada santa; nesse confronto de ideias, se não houve culpados, também não houve inocentes. Em democracias representativas, o poder se alterna; alterna-se o poder; o poder se alterna. O poder é do povo, e não dos partidos e, tampouco, dos políticos. Há uma frase muito significativa e pertinente dita por uma personagem, em uma das históricas peças do político Teatro de Arena, intitulada Arena conta Tiradentes, que assim aborda: O povo, como, aliás, muitas outras coisas, tem o seu lado bom e o seu lado mau, ao mesmo tempo ele é útil e perigoso. O povo coloca o político no poder, o povo afasta o político do poder; O povo constrói o político, o povo destrói o político; o povo abre as portas do Palácio do Planalto para o político, o povo fecha as portas do Palácio do Planalto para o político. E que pena que os nossos políticos teimam em não atentar para isso! Já que muitos amam dividir o mundo político em direita e esquerda, em reacionários e revolucionários, em conservadores e progressistas, admite-se que a direita, os reacionários e os conservadores assumiram o poder no dia 01 de janeiro. Assumiram o poder pelo voto; o que é notável, diga-se de passagem. E de que se queixam a esquerda, os revolucionários e os progressistas? Queixem-se de seus próprios erros políticos, de seus discursos vazios, incoerentes e lacradores, de sua louca obsessão pelo poder, de suas práticas corruptas com o dinheiro público e de sua maldita lógica filosófica: O fim justifica os meios. Bolsonaro, pelo voto, conquistou o poder; Bolsonaro, se errar, pelo voto, será fatalmente afastado do poder. Eu me vestir de verde amarelo para colocá-lo no Palácio do Planalto, mas, se for preciso, pintarei os cabelos e o rosto de preto, vestirei roupas pretas, usarei luvas, meia e sapatos pretos, abrirei um guarda-chuva preto, levantarei um estandarte de tecido preto, colocarei no rosto um véu de filó preto e levarei nas mão um buquê de flores pretas ( flores da noite) para afastá-lo do Palácio do Planalto. Não morro de amor por nenhum político. Porém, ele tem o meu respeito, estima e consideração se não viola as Leis da Constituição. Só os idiotas, os imbecis, os delinquentes, os alucinados e os corruptos morrem de amor por um político. E quem quiser que tome a sua carapuça. Assim está escrito. Em 2019, Esperança Ainda, apesar da descrença de muitos. Na próxima coluna, mais comentários sobre o inquietante e perturbador filme do diretor Spike Lee, infiltrado na Klan. Aguarde.

Professor Jorge Barros.

Jorge Barros

Jorge Barros

Professor da UESB, poeta, ator e agitador cultural


Deixe um comentário:



Captcha