Bertolt Brecht (1898 - 1956) e a greve dos caminhoneiros - No cotidiano, descobrir o absurdo.

Hoje, 04/06/18

Bertolt Brecht (1898 - 1956) e a greve dos caminhoneiros - No cotidiano, descobrir o absurdo.



O dramaturgo alemão Bertolt Brecht (foto), ao analisar as contradições e os conflitos sociopolíticos existentes em uma sociedade essencialmente dominada pelo capital financeiro, por políticos bandidos (de direita e de esquerda) e pela exploração dos trabalhadores, conclui que só a luta dos explorados pode mudar os rumos da história; só a luta das massas oprimidas desvia a rota dos opressores e dos ratos dos cofres públicos. A passividade do homem explorado diante das ações dos exploradores, dos banqueiros gananciosos, das empreiteiras criminosas e dos ladrões da República leva-o à pobreza em todos os aspectos: educação, saúde, segurança, bem-estar social, qualidade de vida, finanças, cultura etc. A sociedade brasileira é um grande exemplo da análise seca, cruel e devastadora de Brecht sobre um sistema político dominado por lacaios que se beneficiam da miséria dos menos favorecidos, dos pobres. Mas, a estes mesmos miseráveis, explorados e menos favorecidos, Brecht dá três dialéticos e significativos conselhos: 1 - Nós pedimos com insistência para que os senhores nunca digam que a exploração é natural diante dos acontecimentos de cada dia. 2 - Numa época em que reina a confusão, em que corre sangue, em que o arbítrio tem força de lei, em que a humanidade se desumaniza, em que se ordena a desordem, nunca digam que isso é natural! 3 - Sob o familiar descubram o insólito, sob o cotidiano desvelem o inexplicável, que tudo é considerado habitual provoque inquietação, na regra descubram o abuso, e sempre que o abuso for encontrado, encontrem o remédio. No dia 21 de maio, a maioria esmagadora dos caminhoneiros do Brasil colocaram em práticas os três conselhos de Brecht aludidos acima. A vitória financeira, ainda que pequena, foi obtida. A vitória política foi grande: o aprofundamento do desgaste político do fraco e corrupto governo Michel Temer e a queda do burguês malandro Pedro Parente, da presidência da Petrobras. Resta agora à população brasileira andar pelas veredas (pelos caminhos) dos caminhoneiros, porque o preço da gasolina continua a ser reajustado de forma abusiva.

Professor Jorge Barros.

Jorge Barros

Jorge Barros

Professor da UESB, poeta, ator e agitador cultural


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