Além do Escuro Véu

Quinta-Feira, 14/12/17

Além do Escuro Véu

Não resta a menor dúvida de que as eleições de 2018 se constituem em um escuro véu; um véu de trevas, de horrores. A descrença na maioria esmagadora dos políticos e das siglas partidárias (sopas de letrinhas) chegou a um nível já mais visto na História da República. Também não é para menos. Depois da Operação Lava Jato, que partido saiu inatingível? Que sigla partidária não mergulhou na lama suja e nas águas turvas da corrupção com o dinheiro público? Que pena que os principais partidos de esquerda (ainda existe isso no Brasil?) também não tenham resistido à tentação de se afundar na lama da suja política começada no dia 22 de abril de 1500. Hoje, os principais dirigentes e fervorosos militantes destes partidos (aqui em Jequié têm muitos), apenas fazem discursos vazios e apelos inúteis em propagandas eleitorais, na doce ilusão de enganar aquilo não pode ser mais enganado. Nas eleições de 1989, 1994, 1998 e de 2002, o eleitor ainda tinha a esperança de derrotar a direita (ainda existe isso no Brasil?) e optar por candidatos de partidos de textura política progressista e de vanguarda. Mas hoje ele não tem esperança porque, em matéria de corrupção, de roubalheira, de envolvimento com empreiteiras, com empresários e com criminosos de colarinho branco, esquerda e direita se confundem; o joio se misturou radicalmente com o trigo; a lama se misturou com águas cristalinas. Se você se considera um “esquerdista radical” e pensa que o seu discurso ainda vale um vintém, leia ou/e faça uma releitura de toda a história da Operação Lava Jato, bem como dê uma olhada na lista dos deputados que votaram a favor do Fundo Partidário - o fundo escandaloso e criminoso que permite que os parlamentares saqueiem os nossos bolsos para fazer campanhas políticas. Confira você mesmo os nomes dos deputados e suas respectivas siglas partidárias que se dizem de esquerda, mas não abriram mão de golpear a cidadania brasileira. E vá se preparando porque isso será exaustivamente usado nas eleições de 2018. Eu, por meu turno, denunciarei todos eles. Denunciarei os parlamentares e suas respectivas siglas de “direita ” e os de “esquerda”. Nenhum ego sairá intacto. E que pena que esse filme político brasileiro tenha o seguinte final: Ninguém têm as mãos limpas, isto é, todos são bandidos. Cercar Brasília é preciso, ficar no imobilismo não é preciso.

Eleições 2018, um Escuro Véu. E o que virá além dele?

Professor Jorge Barros.

Jorge Barros

Jorge Barros

Professor da UESB, poeta, ator e agitador cultural


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