A Seleção Brasileira sem craques, sem futebol, sem moral, e com cheiro de laquê

Quinta-Feira, 19/07/18



Aviso aos navegantes: De futebol entendo pouco, muito pouco, para não dizer que não entendo nada. Porém, no final dos temíveis anos 70, dizia o saudoso Cláudio Coutinho (técnico da Seleção Brasileira na Copa de 1978) que todo brasileiro é um técnico. Sendo assim, também tenho liberdade de criticar a Seleção Brasileira 2018. Para o início da crítica, a Seleção Brasileira é mesmo uma Seleção Brasileira? Pela composição dos jogadores, não! Então, o que é mesmo aquilo que leva o nome de Seleção Brasileira? Um grupelho de jogadores do Sul e Sudeste, mais precisamente do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. Além desse fato vergonhoso, a maioria deles atua em grandes e poderosos clubes estrangeiros e, por conseguinte, essa mesma maioria é composta de jogadores ricos, vaidosos, que brilham nos palcos como garotos-propaganda e que jogam, não raro, em busca da fama e de dólares. O sentimento de brasilidade é o que menos importa para os tais quando jogam na Seleção Canarinho. Quando a vergonhosa e patética CBF irá entender que Seleção Brasileira significa a Seleção dos melhores jogadores dos clubes de futebol de todo o Brasil, não importando a região? Talvez isso não aconteça tão cedo como se deseja porque ela (a Seleção) é também um retrato de deste Brasil desqualificado, desmoralizado e governado por uma quadrilha de bandidos cuja meta principal é o lucro fácil. O principal comentarista de futebol da Rede Globo de Televisão afirmara que a Seleção Brasileira é um patrimônio do povo brasileiro. Errou. A Seleção Brasileira é um patrimônio da própria Rede Globo, dos cartolas dos grandes times de futebol do Brasil, da CBF e de grandes e poderosas marcas comerciais, e nunca dos brasileiros. Mas, apesar de tudo, a Seleção Canarinho foi à Rússia em busca do seu sexto título. Foi campeã em 1958, 1962, 1970, 1994 e em 2002. Era tida como uma das favoritas, mas a seleção da Bélgica era uma pedra em seu caminho. No meio do caminho havia uma Bélgica; havia uma Bélgica no meio do Caminho. Os brasileiros que analisavam o desempenho dos jogadores da Seleção pela ótica da racionalidade e das possibilidades, já sabiam que havia algo de errado; já tinham concluído que o futebol exibido nas partidas antes do confronto com os belgas jamais seria o passaporte para a grande final no dia 15 de julho. O que foi feito do futebol dos jogadores milionários? A Seleção Brasileira tinha ou não tinha craques? Pelos pífios resultados obtidos, ela tinha tudo, menos craques e futebol de alto nível. Ela apenas exibiu jogadores convencidos, um jogador que caia constantemente em campo (cai, cai) para ser o foco das atenções da mídia do mundo inteiro, corpos tatuados e penteados à base de laquê ou de outro produto para embelezar cabelos. Em 2022, em Dubai, caso seja classificada, novamente ela exibirá um futebol chulo, descomprometido e decadente? Quem viver verá! Por enquanto, adeus Seleção Brasileira! O seu vexame na Copa do Mundo no ano de 2018 marcará uma época, uma triste época.

Professor Jorge Barros

Jorge Barros

Jorge Barros

Professor da UESB, poeta, ator e agitador cultural


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