A festa já terminou, agora é preciso voltar à realidade, a dura e cruel realidade

Hoje, 26/06/18

A festa já terminou, agora é preciso voltar à realidade, a dura e cruel realidade



Praticamente, de 01 a 24 de junho de cada ano, o nordestino festeiro, principalmente o de Pernambuco, da Paraíba e da Bahia, só pensa na programação junina, só pensa no clímax da festa, que acontece nos dias 23 e 24. Em muitos lugares a programação se estende até o dia 02 de julho. O homem nasceu para ser livre; o homem nasceu para fazer suas escolhas; o homem nasceu para se divertir como bem entender. Assim caminha a humanidade; assim é construída a história social do homem, sem dúvida alguma. Aqui em Jequié - terra do sol, a programação dos festejos juninos foi até o dia 24 (domingo). O que vimos e ouvimos nesses dias de festa: muita movimentação em lojas e supermercados; praças abarrotadas de festeiros; trânsito congestionado; muitos carros de propaganda de som desrespeitando as regras de uma civilizada propaganda; coloridos figurinos típicos da época; som de bandas diversas; muita gente embriagada pelo caminho; guichês da rodoviária superlotados etc. Mas a festa já terminou, agora é preciso voltar à realidade. Voltar à realidade dura e cruel num sentido mais amplo, isto é, a realidade de Jequié no contexto econômico, cultural e sociopolítico, a realidade da Bahia como um pobre estado do nordeste manchado pela violência e pelo desemprego e a assombrosa realidade do Brasil, governado por uma classe de bandidos - políticos (de direita e de esquerda, convém frisar isso sempre), como nunca se viu em sua história desde a chegada de Pedro Alvares Cabral e suas caravelas, lá nas bandas de Porto Seguro/BA. O homem que não toma consciência de todos os fatos que o rodeiam, acaba sendo vítima fatal da sua própria miséria.

Professor Jorge Barros.

Jorge Barros

Jorge Barros

Professor da UESB, poeta, ator e agitador cultural


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